Eu conto porque creio nas palavras. Creio na sua pesada amorosa substância. Creio que, como os gestos - e é ela outra coisa mais ou menos do que um gesto? -, a minha fala cria laços. Eu, que me dou quando confesso minha vida, uma fração silenciada antes dela, enlaço o outro. Trago-o para mim. Não apenas eu nunca mais serei o mesmo, porque narrei a ele, mas ele também, Ele nunca mais será o mesmo (...). Agora somos.
C.R. Brandão (Do livro Memória/Sertão, 1999)

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